
Foto
de Marlene Bérgamo/Folha Imagem
Uma
pesquisa da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP investigou
as causas da degradação ambiental e paisagística
do rio Tietê e suas margens, no município de São
Paulo.Na
dissertação de mestrado, o arquiteto Iraúna Bonilha
aborda também aspectos gerais da estruturação urbana
das várzeas paulistanas.
Inicialmente,
Bonilha fez um apanhado geral da história do urbanismo e da arquitetura
da paisagem, reunindo alguns exemplos significativos de projetos à
beira-rio em grandes cidades européias e americanas. Depois dessa
retrospectiva, o pesquisador passou a estudar o processo de transformação
da paisagem na grande várzea paulistana.
Analisou também, os projetos e os fatos mais importantes que
condicionaram esse processo, desde a época em que o rio tinha
seu curso sinuoso e sua várzea inundável, até os
dias de hoje, retificado e canalizado e com sua várzea toda ocupada
por construções e avenidas marginais.
As obras de retificação e canalização do
Tietê começaram no final do século 19, mas só
foram executadas a partir do final da década de 30. As marginais
surgiram em meados dos anos 60, quando o rio já estava morto,
obstruindo de vez o acesso público às margens. Segundo
o arquiteto, vários projetos urbanísticos foram feitos
para a várzea do Tietê, mas a maior parte não deixou
marcas concretas na paisagem. "O resultado é um acúmulo
de obras e intervenções não necessariamente fiéis
a um projeto, embora o Plano de Avenidas, de Prestes Maia (1930), tenha
definido o papel das margens do Tietê, assim como do Pinheiros,
como eixos de circulação rodoviária."
Limpeza e inundações
Segundo o pesquisador, o problema mais difícil de ser combatido
não é a poluição do rio por esgotos: "A
ocupação irregular das encostas da Serra da Cantareira
expõe o solo à ação desagregadora das chuvas
e faz com que o material seja carregado e se deposite no leito do rio.
Isso diminui a capacidade de escoamento do canal", explica.
Para o arquiteto, as enchentes são processos naturais, mas as
inundações são conseqüências de processos
combinados de ocupação do solo, a começar pelas
planícies de várzea, locais que serviam como reservatórios
naturais das cheias. "Se o Estado investir na ampliação
da rede de coleta e tratamento de esgotos, é possível
eliminar até 50% da poluição que afeta o rio",
recomenda. Bonilha lembra, ainda, que a questão do assoreamento
é mais difícil de ser combatida. "Não depende
apenas de manutenção e dragagem periódica, mas
de um controle profundo e eficaz sobre o processo de produção
da cidade, medida que nunca foi tomada."
Para ele, o maior erro do urbanismo paulistano foi a definição
das avenidas marginais, que impossibilitou o uso das margens fluviais
como espaços livres públicos. "Uma solução,
já indicada pelo projeto vencedor do último concurso público
de reurbanização das marginais (1998/99), é a possibilidade
de implantação de projetos em áreas-piloto ao longo
das marginais, aproveitando vazios remanescentes e áreas ferroviárias
e industriais", recomenda. "Alguns projetos podem conseguir
articular essa possibilidade de renovação urbana ao longo
das ferrovias com a renovação paisagística das
áreas marginais."
Fonte: www.imesp.com.br
Agência USP
Da Agência Imprensa Oficial
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