
Com uma produção de 10,5 milhões de toneladas de
arroz, o Brasil ocupa o décimo lugar na lista dos produtores
mundiais. Em 2002, de acordo com dados do IBGE, o estado-líder
na produção foi o Rio Grande do Sul, responsável
por 51,61% da safra. Santa Catarina ocupou o terceiro lugar, com 8,77%
da produção nacional. Estima-se atualmente uma produção
mundial de 100 milhões de toneladas de arroz a cada ano - um
volume considerável de grãos e também de cascas
desse produto agrícola.
O
aproveitamento das cinzas de cascas de arroz na construção
civil é o tema de um dos artigos publicados no livro ´Utilização
de Resíduos na Construção Habitacional´,
editado pelo Programa de Tecnologia de Habitação (Habitare).
O professor Luiz R. Prudêncio Jr, do Departamento de Engenharia
Civil da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), divide a autoria
do trabalho com Sílvia Santos, mestre em Engenharia Civil pela
UFSC, professora na Univali, e Dario de Araújo Dafico, mestre
em Engenharia Civil e doutor em Engenharia Mecânica pela UFSC,
atualmente professor da Universidade Católica de Goiás.
De acordo com o artigo, a crise energética mundial e a busca
de fontes alternativas de energia renovável fomentou o aproveitamento
das cascas de arroz, que vêm sendo usadas como combustível
vegetal. Essa queima, no entanto, produz cinzas em grande quantidade.
O trabalho ressalta que nenhum outro resíduo da agricultura produz
tantas cinzas quando queimado. Do ponto de vista de reaproveitamento
na construção civil, esse ´lixo´ apresenta
características pozolânicas - quando moídas e misturadas
com água, reagem com compostos resultantes da hidratação
do cimento, formando substâncias de grande resistência e
durabilidade.
“Atualmente,
são ainda as empresas beneficiadoras de arroz as principais consumidoras
da casca como combustível para a secagem e parboilização
do cereal. Como são, em geral, de empresas de pequeno porte,
não possuem processos para aproveitamento e descarte adequados
das cinzas, que são depositadas em terrenos baldios ou lançadas
em cursos d’água, provocando poluição e contaminação
de mananciais”, explica o professor Luiz R. Prudêncio Jr.
Segundo ele, para minimizar o problema, órgãos ambientais
têm buscado regulamentar o descarte dessas cinzas. Em Santa Catarina,
a Fundação de Amparo e Tecnologia do Meio Ambiente (Fatma)
exige a instalação de um sistema constituído de
silo separador e decantação para reter a cinza junto às
beneficiadoras, evitando que este resíduo seja lançado
no meio ambiente. Como não há emprego para a cinza recolhida,
esse material estocado acaba sendo lançado de forma clandestina
no meio ambiente, muitas vezes ao longo de estradas vicinais.
“O
não aproveitamento desse material não pode mais ser aceito
pela sociedade”, avaliam os autores no artigo ´Cinza da
Casca de Arroz´. Diversos trabalhos vêm sendo desenvolvidos
com o objetivo de utilizar esse produto em setores industriais, em especial
na indústria da Construção Civil. A UFSC é
uma das universidades com pesquisa neste campo. Os resultados obtidos
mostram que a cinza de casca de arroz é uma excelente pozolana,
com desempenho comparável ao da sílica ativa (resíduo
da fabricação do ferro-silício e/ou do silício
metálico), um componente comercial necessário na produção
de concretos de alto desempenho.
De
acordo com o artigo, ainda que o assunto seja relativamente antigo e
resultados de pesquisas mostrarem o excelente potencial como pozolanas,
as cinzas resultantes da queima da casca de arroz não têm
sido muito utilizadas para produção de concreto no Brasil
ou outros países. “Isso pode ser atribuído ao fato
de que as cinzas de boa atividade pozolânica geralmente possuem
teores elevados de carbono (acima de 5%), produzindo uma coloração
cinza-escura no concreto, pouco aceita no mercado consumidor”,
avaliam os pesquisadores. Além disso, a presença desse
tipo de cinza faz com que as argamassas e concretos com ela produzidos
possuam uma coesão excessiva, apresentando um aspecto ´pegajoso´.
Por esse motivo, os trabalhos mais recentes desenvolvidos na UFSC neste
campo têm se concentrado na busca de cinzas de baixo teor de carbono
que apresentem elevados desempenhos como pozolanas.
Uma
das frentes de pesquisa é a experimentação de diferentes
formas de queima para obtenção de cinzas de melhor qualidade.
A UFSC trabalha idealizando um forno rotativo, semelhante aos usados
na produção de cimento Portland, buscando cinzas mais
claras, que não alterem a cor do concreto. Com o desenvolvimento
desse forno, está sendo pesquisada uma metodologia de reciclagem
mais eficaz e apropriada para ser utilizada em unidades industriais,
a partir de uma parceria da Universidade Federal de Santa Catarina com
uma empresa Rischbieter – Engenharia Indústria e Comércio
Ltda, da cidade de Gaspar, SC. A meta é que os estudos possam
indicar quais as melhores condições para produção
de cinzas de casca de arroz compatíveis com o uso em materiais
de construção civil.
Fonte: http://habitare.infohab.org.br
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